"Apenas três pessoas juntas têm ativos equivalentes ao produto bruto anual dos 48 países mais pobres, onde vivem 600 milhões de pessoas [...], pouco mais de 200 pessoas, com ativos superiores a US$1 bilhão cada [têm] o equivalente à renda anual de 45% de toda a humanidade (mais de 2.7 bilhões de pessoas)".

Washington Novaes

segunda-feira, 15 de junho de 2009




O porque do Barata na Guarita


O nome provisório desse blog é uma homenagem a Cipriano José Barata de almeida. Ativista irrequieto, pândego e panfletário que se fosse nosso comtemporâneo seria seguramente um destacado membro da blogosfera independente. A historiografia oficial prefere ignorá-lo, porém Marco Morel, seu biógrafo, presta-nos um ótimo trabalho ao publicar no Observatório da imprensa esse belo artigo sobre o nosso patrono, confira.

SENTINELA DA LIBERDADE
Os escritos de Cipriano Barata

Por Marco Morel em 9/6/2009

Introdução de Sentinela da Liberdade e outros escritos (1821-1835), de Cipriano Barata, 935 pp., Edusp, São Paulo, 2009

Todas as informações biográficas e considerações citadas na Introdução são extraídas do meu livro Cipriano Barata na Sentinela da Liberdade, Salvador: Academia de Letras da Bahia / Assembléia Legislativa do Estado, 2001 – e haverá notas apenas para o que não consta deste livro.

1. Trajetória desviante

O conjunto de textos apresentado a seguir, apesar de aparentemente fragmentado, permitirá pela primeira vez visão de conjunto de um dos mais vigorosos testemunhos (ao mesmo tempo relato, proposição, reflexão e tentativa de transformação política e social) no momento inicial de construção do Estado e da Nação e do surgimento da imprensa no Brasil, com ampla repercussão na época. Os jornais Sentinela da Liberdade e outros textos narram também o cotidiano da vida urbana e trazem estilo humorístico em alguns trechos e com frequência a escrita amplia-se para a transmissão oral, seja recebendo e registrando "vozes públicas", como buscando propagar-se por estilo próximo ao da oralidade. A perspectiva alterna-se entre a mais ampla e a mais específica: narrativas e tomadas de posição sobre governantes, sobre as guerras de Independência, condições das prisões, acontecimentos internacionais, nacionais e locais e envolvimentos em rebeliões, além de poemas, canções de viola e "histórias de vida" informais de personagens da política do fim do período colonial e do início da fase imperial.


2. Resumo biográfico

Cipriano José Barata de Almeida nasceu no dia 26 de setembro 1762, na freguesia de São Pedro Velho, Salvador, Bahia, que no ano seguinte deixava de ser capital do Brasil, cedendo lugar ao Rio de Janeiro. Filho do tenente (nascido no Reino de Portugal) Raimundo Nunes Barata e de Luíza Josefa Xavier (natural da América portuguesa), ambos brancos. Na verdade são escassas as informações sobre sua vida até 1822, quando faria 60 anos.

Sabe-se que Cipriano matriculou-se em 1786 no curso de Filosofia na Universidade de Coimbra, Portugal, e no ano seguinte nos cursos de Matemática e Medicina, no mesmo estabelecimento. Em 1788 registraram-se 14 faltas "sem justificativa" à Universidade, ano em que foi interrogado pela Mesa da Inquisição em Coimbra, acusado de heresia. [As faltas estão registradas em Cipriano José de Almeida, Cartas de Curso, Filosofia, 1790, cota do Arquivo da Universidade de Coimbra, AUC-IV-2a. D-12-4, material gentilmente cedido e reproduzido pela assessora principal do arquivo, Ana Maria Leitão Bandeira. O interrogatório pela Mesa da Inquisição de Coimbra consta do Arquivo da Torre do Tombo, Lisboa, IANTT, Inquisição de Coimbra, Promotor – Caderno 123 / 2a. Série, Livro 415, documento encontrado e citado pelo historiador Alexandre Barata (2002), p. 43] Entretanto, foi aprovado ao longo dos quatro anos do curso em todos os exames e colou grau de Bacharel em Filosofia em 9 de julho de 1790 e recebeu diplomas de habilitação em Medicina e Matemática. Seu diploma universitário em Filosofia foi expedido em 14 de julho do mesmo ano (por coincidência, o primeiro aniversário da Queda da Bastilha, em Paris), assinado pelo Reitor, d. Francisco Rafael de Castro, tendo como professor examinador Teotônio José de Figueiredo Brandão [cópia do diploma de Cipriano Barata encontra-se nas Cartas de Curso, Filosofia, 1790, AUC, cit].

Continue lendo Aqui no indispensável observatório da imprensa.

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